Muitos dizem que a infância, juventude e a vida adulta se diferem. Na realidade, essas fases contém sentimentos totalmente iguais. O que muda ao longo da vida é nossa racionalidade. Desde jovem presenciamos o amor, afeto, amizade, traição, inveja. Assim, engana-se o garoto ou garota q tem o desejo incontrolável de querer ser adulto o quanto antes, na ânsia por acontecimentos deslumbrantes.
É óbvio que cada época da vida tem sua peculiaridade. Como um dia-a-dia qualquer, cada fase, desde seu início, preenche nossos olhos (e nossa alma) com situações variadas, obstáculos interessantes e com sentimentos duradouros, levando-nos à maturidade, deixando-nos prontos para a ‘guerra (m)oral’. Bem-vindos à experiência humana inovadora.
Entretanto, não há fase melhor para o conhecimento e entendimento do Universo do que a observada na juventude. Desde a pré-juventude, a partir dos 12 anos, o ser humano já é capaz de diferenciar o certo do errado e a julgar sabiamente as questões sociais e os problemas relativos ao planeta. E esta descoberta inusitada pelo viver se junta à alegria da descoberta sentimental, fazendo com que os hormônios recém-nascidos se multipliquem ferozmente, criando assim, um campo energético incontrolável em cada ser, cessado somente com a união e a aventura compartilhada com a mesma raça.
Nick & Norah exibe muito bem esta questão juvenil, da forma mais divertida possível, pois não é necessário contar uma história complexa para mostrar toda a brasa e a alegria do aprendizado presenciada nesta etapa. Como relatada no subtítulo gentilmente criado pelo Brasil, o filme todo é exibido em uma única noite, ao som de belas canções e grande animação. Nick (o simpático e cômico Michael Cera, de “Juno”), ainda não se recuperou do término do seu namoro e não cansa de enviar CDs de desculpas para Tris, garota antipática que só via interesse e o traía sem piedade. Norah, que provém de uma amizade forçada com esta garota, é fã das músicas de Nick, apesar de não conhecê-lo. Numa noite, ao som da banda dos amigos gays de Nick, Norah, para driblar o fato de estar sempre sem companhia nas festas, acaba por beijá-lo, fingindo ser sua namorada por alguns instantes. O problema é que Norah não imaginava que o próprio Nick seria dono dos CDs que ela admira e ex de Tris. Tris, por sua vez, não agüenta o ciúme e tenta reconquistá-lo à força, só para mostrar seu poder de sedução. Confuso com a história? Junte a tudo isso uma amiga bêbada de Norah, pra lá de engraçada, a busca incessante da banda mais badalada do momento, “Where´s Fluffy?”, e algumas brigas, namoros e diversão pra mais de metro.
Comparado friamente ao seriado “Dawson´s Creek” (sem discursos ideológicos, sem problemas demais e com mais química entre os atores), “Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música” prova aos mais velhos aquela sensação de “já vivi isso antes”, proporcionando prazer e nostalgia para muitos, e momentos inesquecíveis para outros. Assim como a overdose profunda de acontecimentos da juventude, o filme faz jus a este período, de forma humilde, divertida e duradoura. E sua trilha sonora só faz reanimar todo ser que assistí-lo, inclusive adultos e idosos. Afinal, reviver esta memorável fase é como reativar todos os nossos mais desejáveis sentimentos, perdidos ao longo de tanta preocupação e da destruição cotidiana do ser humano.


