Como seria nossa vida se seguíssemos caminhos diferentes? Como agiríamos ou reagiríamos através destes caminhos, contrários a nossos pensamentos? E se soubéssemos que morreríamos em breve? Consertaríamos erros passados, deixando nosso legado ou viveríamos aventuras finais, nunca aproveitadas ao longo dessa jornada?
Perguntas como essas nos deixam atônitos ao tentar uma solução lógica, algo muito distante do ser humano entender. Mas, para quem acredita em DESTINO, não devemos mudar nossas rotas e sim segui-las de forma natural, pois segundo essa norma espiritual, queiramos ou não, iremos passar pelas situações que nos são pré-dispostas. Talvez seja essa palavra, destino, que nos conforte, mas nos apavore, constantemente. Afinal, acaba sendo constrangedor saber que podemos viver presos, numa “realidade pronta”, uma vez que tudo o que fizemos será parte de algo que estava predestinado a acontecer.
A premissa deste Antes que Termine o Dia é exatamente esta, com o intuito filosófico do “carpe diem”, ou ‘aproveite o dia’, recheado de morais da história e de situações ambíguas e impossíveis, mas que faz o telespectador desejar que alguns momentos possam vir à tona, tornando-se parte de si mesmos.
O romance retrata a vida da jovem Samantha (Jennifer Love Hewitt, mais conhecida por protagonizar os filmes adolescentes Eu (Ainda) Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, excelente no papel da jovem dramática, bem à vontade), com grande aura artística e cantora tímida, que dá aulas para crianças, e seu namorado Ian (Paul Nicholls), rapaz empresário, preocupado constantemente com a carreira, deixando de dar importância para as coisas simples da vida, assim como seu relacionamento conjugal. Samantha (ou Sam) releva todas as desculpas e todos os seus compromissos profissionais, mas não deixa de demonstrar sua angústia e desgosto. Há motivos o suficiente para o casal entrar em harmonia e manter a felicidade, mas atitudes que visam o próprio ego acabam por estragar uma grande história de amor que poderiam estar vivenciando, sem interrupções.
O momento ‘chave’ da história resume-se num taxista, que nos remete à uma alusão à Deus ou ao próprio Destino, encarnados, que dá dicas para que Ian tome certas providências, evitando situações drásticas, fato este que não é percebido por ele, até presenciar um grande acidente, capaz de fazê-lo compreender o motivo de estar sendo julgado, recebendo assim, uma segunda chance. Porém, dia seguinte, após surpreender-se com o que lhe ocorrera, Ian (e o telespectador) não consegue entender se os acontecimentos da noite anterior foram sonho, realidade ou um presente Divino, fazendo-o olhar as pessoas à sua volta e que o amam, preocupando-se em viver literalmente a vida a partir daí, excluindo problemas inúteis que não trazem proveito algum.
Com cenas empolgantes e gostosas de observar, o filme nos leva a pensar se o que fazemos no mundo de hoje tem realmente importância e se queremos continuar a complicar fatos que poderiam ser resolvidos com uma simples conversa, humildemente e sem qualquer rancor. Mas, apesar de exprimir tais idéias, o filme deixa claro que, mesmo que dermos valor aos sentimentos e não a coisas materiais e mesmo que mudemos a rota da nossa (in)felicidade, tudo o que nos foi predestinado acontecerá, mesmo que tentemos evitá-lo. Nada aqui será modificado, inclusive aquilo que o Homem já modificou.
Por isso, a moral da história mais eficaz para uma história como esta é a de que, embora acreditemos ou não no Destino, temos que aproveitar ao máximo o que nos foi presenteado, superando as divergências e enfrentando novas experiências com louvor, sem esquecer de amar quem nos queira bem, pois cedo ou tarde, esse alguém deixará de existir e não podemos permitir que o arrependimento ou a incompleta expressão “E se...” (If Only, título original) tome conta de nossos pensamentos, algo comum de ocorrer. Pois bem, a moral continua sendo bastante clichê, mas ... quem disse que ainda não funciona?



