Um grande marketing, para o sucesso de um filme, é dizer que ele é baseado em fatos reais. Parece que estas palavrinhas atraem as pessoa, ainda mais se a história tratar-se de um filme de terror, ou melhor, de espíritos. Você já viu algum romance ter estas palavrinhas mágicas?Sabendo que um filme não terá grande sucesso nos cinemas, ou querendo atrair o maior número de pessoas para as salas, as grandes produtores apelam para qualquer coisa que faça o público dizer “OH!”, sem ter tempo de pensar seriamente, deixando a razão de lado, trabalhando apenas com a emoção e a inquietação para analisar a obra. Poderíamos classificar tal “eficiência” como uma mensagem subliminar às avessas. Mas, a longo prazo… funciona?
Tenha por exemplo este Evocando Espíritos (Assombração em Connecticut, no original). Um filme de família, em casa mal-assombrada por vultos e espíritos que não gostam muito de aparecer, segue mais a linha de Jason e Pânico, com seus minutos de silêncio, seguidos de uma estrondosa trilha sonora em pequenos segundos, para que nosso coração possa palpitar pela boca. Não que o susto venha do medo da situação ou da imagem vista, e sim do barulho que ele causa em nosso tímpano. Se o filme fosse exibido há 10 anos atrás, certamente seria sucesso, mas nos dias de hoje é pouco provável.
Não entendo o fato dos americanos insistirem nesse tipo de filme. É certo que filmes de terror são emocionantes e bem aceitos pela crítica, mas o simples fato de jogarem vultos e sons na tela não deixa o filme menos insuportável. A mente humana é fértil e o comodismo é o seu pior erro. Por preguiça e por não querer inovar, erros assim acabam se tornando realidade e, para não fracassar e para acumular capital, inicia-se a útil e confiável publicidade e o jogo de marketing, que transforma o mais humilde pinóquio em um menino de verdade. Bom, problema dos americanos que não têm nada a perder.
Triste mesmo é ver o Brasil nessa brincadeira, deixando de exibir e divulgar excelentes histórias brasileiras, para dar espaço a inúteis babaquices mal elaboradas. E o fato de ter sido um filme baseado em fatos reais não é problema de ninguém, afinal, como dito no final do filme: não é preciso que alguém acredite nestes fatos, pois só quem estava ali pode dizer algo; alguns deles médicos, enfermeiros, padres, a família e Deus, que age da sua melhor forma de um jeito extremamente eficaz. Como nada disso é problema meu, nem seu, busquemos maiores diversidades em nosso cinema, evitando desperdício, equícovos ou momentos muito mais do que invocados.



