Desde pequeno eu sempre notei que o ser humano é o tipo de raça que, ao mesmo tempo em que julga o universo, busca também exercer o poder sobre outros, precisamente sobre seres inocentes que não discutem em hipótese alguma a questão de serem submissos.
Talvez este possa ser um dos motivos que faz com que milhares de pessoas se apaixonem seriamente com apenas um único olhar canino.
Sejam eles novos ou velhos, lindos ou encardidos, não há dúvida: eles sempre serão os melhores amigos do Homem. Quer um motivo melhor? Eles são simpáticos, lindos, fiéis, companheiros; servem como psicólogos (ouvem nossas conversas sem questionar), são divertidos, animados, emotivos, inteligentes, otimistas, arteiros e dão lições de vida à qualquer pessoa que esteja perdida no mundo capitalista, globalizado e acelerado em que todos nós vivemos.
Ou ainda: os cães, não importa o que aconteça, sempre estarão ao lado de seu dono, o que faz com este, por sua vez, exerça – com segurança – o poder que têm sobre esses animais, já que haja a humilhação que houver, eles sempre estarão ali, abanando o rabo, alegres e saltitantes, com a mísera (ou satisfatória?) ignorância de não compreender o que se passa ao seu redor.
Devido a circunstâncias cotidianas como esta, podemos relatar o sucesso que vem fazendo a história de Marley, cão protagonista do ‘best-seller’ (livro e filme) homônimo “MARLEY & EU”.
Com um ritmo histórico empolgante, o filme nos relata a vida completa do jornalista John Grogan e seu fiel companheiro Marley, um labrador elétrico e anormal, definido pelo próprio autor como o ‘pior cão do mundo’ – não pelo fato dele ser mau, mas sim por ser tão alegre a ponto de se tornar desobediente demais, com energia descontrolável e sendo desastrado, mastigando tudo o que vê pela frente e frustrando todos ao seu redor – diferenças que o tornam especial.
O filme segue o mesmo ritmo do livro, apesar de pecar em alguns pontos: para não diminuir totalmente a história na tela, em duas horas de projeção, ele acaba por narrar, em certos segundos, muitos acontecimentos ao mesmo tempo, com flash de imagens que cansam aos olhos e perturbam os telespectadores, que têm de ler as legendas do filme de forma muito rápida, caso a cópia assistida não seja a dublada. Até mesmo uma cena interessante, ao qual Marley e seus donos passeiam pelas ruas e páram para tomar um café, amarrando a coleira dele na mesa, perdem o encanto, pela rápida cena mostrada.
Exceções à parte, as interpretações dos atores (Jennifer Aniston e Owen Wilson, recuperado de seu surto em suicidar-se) são convincentes, a história não deixa a desejar (apesar de ser óbvio que o livro se supera em muito todos os acontecimentos de uma vida toda contada, sem cortes temporais), o humor do livro é mantido, é baseado em fatos reais e não é nada infantil, como todas as películas de animais que há por aí, além de ser emotivo demais, resgatando o amor, já mencionado, que o ser humano tem por cachorros. Vale a pena conferir esta obra realista, cheia de vida e tocante. Preparem os lencinhos!



