* Por Marcos Cintra
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em cada cinco jovens no mundo um não tem emprego. São 88 milhões de pessoas com idade entre 16 e 24 anos sem ocupação, representando 40% dos desempregados no planeta, sendo que 85% vivem em países em desenvolvimento. A situação se torna ainda mais preocupante quando as estimativas apontam que nos próximos dez anos haverá um incremento de aproximadamente 660 milhões de jovens no mercado de trabalho mundial. Criar ocupação para esse contingente é um dos grandes desafios para os formuladores de políticas públicas.
No Brasil a situação do desemprego entre jovens também causa apreensão. São 3,5 milhões de pessoas entre 16 e 24 anos sem trabalho, representando 45% dos desempregados no país. Urge criar condições para que esses jovens tenham ocupação, evitando assim que muitos sobrevivam de modo precário na economia informal ou então sejam cooptados pelo crime organizado.
Se por um lado jovens não têm emprego, há empresas que não conseguem contratá-los alegando falta de qualificação. Pesquisa de uma grande consultoria de mão de obra revelou que num grupo de 36 países o Brasil é o segundo com maior dificuldade para encontrar pessoas capacitadas, ficando atrás apenas do Japão. Um levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) revelou no início deste ano que há escassez de trabalhadores qualificados em setores como comércio, alimentação, alojamento, construção civil e outros.
O Brasil precisa de ações de curto, médio e longo prazos que equacionem as necessidades dos jovens trabalhadores e das empresas e essas medidas devem envolver o poder público, setor produtivo, entidades de classe e universidades. A qualificação do trabalhador assumiu um papel de grande peso para a competitividade econômica e a omissão da sociedade irá gerar um grande gargalo para a produção do país.
Na cidade de São Paulo a prefeitura tem dado maior peso para a qualificação de trabalhadores e um dos programas de grande sucesso tem sido o Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens). Como secretário do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho no município, coordeno vários dessas ações e o programa de atendimento aos jovens tem sido um dos destaques da secretaria.
Vários jovens já foram formados e novos cursos serão implementados a partir de agosto de 2010, com duração até fevereiro de 2011, e vão qualificar trabalhadores com idade até 29 anos nas áreas de alimentação, administração, computação, comércio e telecomunicação. O programa tem como público alvo jovens sem emprego e o aluno contará com auxílio financeiro e outros benefícios.
A maior cidade do país vem atuando no sentido de minimizar o problema do desemprego entre jovens e da escassez de mão de obra qualificada. Outras prefeituras, os governos estaduais, o governo federal e entidades empresariais deveriam atuar de modo incisivo nessa questão. È uma ação que interessa a toda sociedade e que beneficia milhões de famílias brasileiras.
* Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.
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