* Por J. Costa Jr.
Na sexta-feira, 30, o presidente Lula negou-se a aderir a campanha internacional que tenta libertar a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento por motivo de suposto adultério. A justificativa do nosso presidente, é que não convém interferir nas leis e na aplicação das leis de outro país soberano como o Irá, porque a partir daí, segundo o presidente poderia avacalhar tudo. Não é avacalhação maior do que a de se submeter às exigências da FIFA para poder realizar um Mundial de futebol que dura tão somente 30 dias, e, que, entre tais exigências prevê o aumento da capacidade de endividamento dos municípios que serão sede das disputas. O contribuinte que paga seus tributos, impostos e taxas exorbitantes sem nada ter em troca que realmente justifique o estrago em seu bolso, deve adorar a ideia.
Comprar briga com a comunidade internacional para que o Irã possa desenvolver seu projeto nuclear para fins obscuros, ah, isso pode. Não é avacalhação. É prestígio político. Culpa do Barack. E do jeito cínico e peculiar que o americano tem de fazer piadas.
Quase 80% de aprovação da opinião pública quanto ao seu derradeiro governo realmente dão ao presidente uma imunidade, entre aspas, jamais vista na história deste país, capaz de blindá-lo dos ataques adversários e suportar os efeitos que poderiam ser nefastos por conta de sua precária capacidade intelectual. E se destacado esse ponto da questão pode-se concluir facilmente que as conquistas de seus dois governos mais se devem à capacidade de sua equipe do que a sua própria. Fosse treinador de futebol, Lula seria mais um motivador de times do que um estrategista. E para ser campeão, não é mesmo presidente, bastaria contratar os melhores jogadores. E se isso não bastasse, os melhores árbitros... Opa!É bom parar por aqui. Patrulheiros ideológicos, vermelhos de plantão, por favor, me desculpem.
Se confirmada a pena e aplicada a execução Sakineh será enterrada até o pescoço e morta a pedradas na cabeça. Tudo porque deu umas escapadinhas. Não resisto e devo perguntar: Isto é lei que se respeite senhor presidente e personalidade mundial para o qual todos os outros presidentes e presidentas, reis e rainhas estendem o tapete vermelho e oferecem o melhor vinho da adega? Não. Isso é costume e hábito de um povo para o qual as palavras morte e destruição, ódio, revolta e vingança não saem da boca, da mente e das mãos como acostumou-se a ver diariamente nos tele-jornais.
Não são os 80% da opinião pública brasileira que, embevecida o vê como um Deus quem lhe pede apoio. São pessoas do mundo todo.
Esse mesmo mundo que aprendeu a admirá-lo e respeitá-lo. E esperavam ou ainda esperam uma posição ao menos mais digna do sujeito que um dia o mais alto mandatário da maior potência bélica mundial definiu como: “O cara”.
Já sei. O senhor está ganhando tempo não é? Até que os seus eficientes assessores ou seu brilhante ministro de relações internacionais lhe arrume uma boa desculpa pra sair pela tangente de tão polêmica e não menos estarrecedora questão.
Olha, Lula, cá entre nós, gastei 5 minutos e algumas palavras do meu parco vocabulário escrevendo sobre isto apenas porque sou daqueles que procura ver em seu semelhante mais as virtudes que os defeitos. E eu sinceramente acredito que mesmo após 8 anos de poder ainda restou alguma coisa de humanidade por baixo do paletó e da gravata, cada vez mais impecáveis, do bom e velho Lula.
Vai lá irmão. Leve ao menos uma palavra de esperança a pobre Sakineh e àqueles que, sensibilizados com a triste situação dela esperam exatamente isso de você.



