Pai, eu quero ser jogador de futebol!
Essa foi minha primeira afirmação quando questionado qual profissão gostaria de seguir. Evidentemente não deu muito certo.
Preferi escrever e comentar, ao invés de jogar.
Muitos de nossos atletas certamente começaram com a ilusória idéia de ganhar muito dinheiro.
Infelizmente muitos devem ter se arrependido.
No país do futebol poucos ganham muito, e muitos ganham pouco.
Cerca de 800 times tupiniquins; muitos profissionais em amadorismo.
Milhares de jogadores que levam a vida de maneira dramática.
Longe dos holofotes... Longe das famílias...
A miséria acompanha e o pão de cada dia parece distante. Distancia esta que figura ao lado dos grandes clubes do Brasil e do mundo.
O sonho de criança, aquele de se tornar jogador da seleção brasileira, de levantar o troféu da Copa do Mundo, tristemente ruiu e desapareceu.
Salários irrisórios ou atrasados e barrigas para sustentar.
Na contramão da estabilidade, mudanças e mudanças, na agonia profunda de encontrar uma equipe vencedora e correta pelo caminho. Muitos não encontram...
No lado escuro do país da bola, a incerteza é a única certeza e a alegria muitas vezes é a principal exceção.
Nas quatro divisões do campeonato nacional, apenas 100 equipes...
A maior parte das outras disputam apenas torneios regionais no primeiro semestre, e param no segundo.
Se muitos de nossos grandes clubes atrasam salários e estão falidos, o que esperar dos outros? Times que você nunca ouviu falar...
Motivos para o Brasil não ser o país do futebol, infelizmente não faltam. Triste realidade de um país tão acostumado a ser o melhor do mundo...
David Florim é jornalista e radialista em Ribeirão Preto.
Foi repórter por dois anos na filiada da TV Bandeirantes no interior de São Paulo e atualmente comenta futebol na Rádio CMN AM (filiada da Jovem Pan AM). Contato: david.florim@hotmail.com ou www.palcodofutebol.blogspot.com.



