Caros amigos leitores, vocês sabem a verdade sobre o projeto de iniciativa popular que os vereadores derrubaram na última semana? Eu vou esclarecer alguns pontos para que vocês possam fazer um juízo de valor sobre a questão.
Há mais de dois anos o projeto tramitou na Câmara Municipal e foi amplamente divulgado e trabalhado pelos partidos de oposição à época, ou seja, PMDB, PT, PSDB, PPS, PC do B, PV entre outros. O então presidente do PMDB e hoje prefeito municipal era voraz em suas manifestações, onde criticava o governo do prefeito Nevoeiro Junior, e utilizava como uma das bandeiras a famigerada PPP do DAAE, considerada uma atrocidade pela então oposição. O projeto de iniciativa popular chegaria para poder impedir a administração municipal de entregar autarquias e outras atividades do poder público para empresas particulares, que objetivam simplesmente o lucro.
O que vimos até o fim da era Nevoeiro Junior no comando da cidade foi uma estratégia para minar o então prefeito para evitar uma re-eleição do mesmo por mais uma gestão. Acontece que, por um milagre, a estratégia deu certo e a população deu um voto de confiança a Palmínio Altimari Filho, chamado de Eduardo Altimari pela EPTV – afiliada da Rede Globo de Televisão na região. E o que o prefeito eleito fez com essa confiança? Começou a jogar com a Câmara Municipal. O início se deu com a virada de mesa da vereadora Monica Hussni Messeti (DEM) que, juntamente com Julinho Lopes (PP) e Sivaldo Faísca (PTB), traíram o grupo a que pertenciam, ou seja, de apoio ao ex-prefeito Nevoeiro Junior, e se uniram ao grupo do prefeito eleito. Logo após, começaram a, literalmente, “empurrar com a barriga” o primeiro projeto de iniciativa popular de nossa cidade com intermináveis pedidos de vista.
Antes de colocarem novamente em votação o projeto popular, os vereadores aproveitaram e ajudaram o prefeito a endividar a cidade, com a aprovação de um empréstimo de R$ 20 milhões. Temos que lembrar que Du Altimari liderou o grupo que criticou violentamente o ex-prefeito Nevoeiro Junior que também queria aprovar um empréstimo na Câmara e não conseguiu, apesar de ter boa relação com os vereadores na sua gestão. Vereadores que antes eram contrários ao empréstimo, sob o argumento de endividamento da cidade, mudaram drasticamente de opinião em pouco mais de um ano, o que será que os fez mudar de idéia? Assim o fizeram Monica Hussni Messeti, Maria do Carmo Guilherme, Pereirinha, Juninho da Padaria e Sérgio Desiderá.
Voltando ao projeto popular, vamos elucidar os leitores sobre o por que, depois de inúmeros pedidos de vista, o projeto foi rejeitado, poupando alguns vereadores do vexame de votar contrariamente ao que diziam um ano antes. A PEC dos Vereadores vai ser votada na próxima quarta-feira, no Congresso Nacional, e, pelo que tudo indica, deve ser aprovada. Se isso realmente acontecer, mais nove vereadores assumiriam imediatamente suas vagas na Câmara Municipal, chegando a 21 vereadores. Hoje, com 12 vereadores, para se aprovar o projeto de iniciativa popular seriam necessários 8 votos a favor. Se a PEC for aprovada, seria necessários 14 votos. Os votos de Pereirinha e Sivaldo Faísca (PTB), Mônica Hussni (DEM), Ricardo Campeão e Pitico do Bar (PMDB) e Júlio Lopes (PP), foram fruto de acordos para poder poupar Sérgio Desiderá e Maria do Carmo Guilherme, possíveis candidatos a deputado nas eleições de 2010, ou seja, não poderiam contrariar o povo, pois se o fizessem o fato seria amplamente desfavorável junto aos seus eleitores.
Já com a posse dos outros nove vereadores, a maioria jamais atuaram na vida pública, estes poderiam ser o diferencial desta votação e poderiam ajudar a aprovação do projeto popular, já que seria o primeiro momento deste empossados, mas o grupo do prefeito pode ter sido mais astuto e votado antecipadamente invés de pedir vista novamente para deixar os possíveis novos componentes da Câmara Municipal escolher o que seria melhor para a população de Rio Claro.
Du Altimari e sua equipe acabaram de romper com tudo que sempre pregaram na campanha de 2008, agora só falta privatizar o DAAE, já que estão mantendo todos os contratos oriundos do governo passado, como Rápido São Paulo, Riolix, SP Alimentação, Saneamento Rio Claro, entre outros. De duas uma: ou os contratos são todos lícitos e só agora descobriram isso, ou então fazem parte do suposto “esquema” que denunciaram na campanha passada. Só o prefeito pode esclarecer isso a nós, eleitores.
Não podemos esquecer: Du Altimari (PMDB) prometeu transparência. Em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) disponibilizou na internet o nome e os salários de todos os servidores públicos, além dos gastos públicos. Por aqui, nada ainda. Para lembrar nosso prefeito, que adora os anos rebeldes, que “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.



