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ARTIGO: O dever cívico do voto

Publicado Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010 as 09:24h Faça seu comentário

* Por Paiva Netto

Trago para vocês trechos da conferência que proferi, na década de 1990, “Lincoln e a responsabilidade do voto”, e que hoje faz parte dos originais de “O Capital de Deus”.

A democracia nasce na ágora, nos bancos escolares e nas diárias lides? Sim e não! Porque antes deve fazer parte do que se aprende na família, contribuindo para preparar cidadãos conscientes de que tudo tem início no voto ou com ele termina, pelo menos em tese. A sociedade é que, quanto a isso, detém o poder de decidir. Ela pode elevar ou afastar quem quiser com o influxo de seu propósito. Abraão Lincoln (1809-1865) ensinava: “A urna é mais forte que o canhão”. A capacidade de produzir bons resultados para os nossos esforços é superior ao que imaginamos. (...) O problema é que, até hoje, nem todo votante alcança que, na eleição, o destino dele está em jogo.

O REGIME DA RESPONSABILIDADE

O voto, instrumento excelente para a evolução da política, é um perene aprendizado. A democracia, como em tantas ocasiões disse e escrevi, constitui o regime da responsabilidade não só para os políticos, mas também e decisivamente para os eleitores. A liberdade de escolha não deve ser irresponsável. Quem não é capaz de assumir uma atitude correta acaba consumido pela circunstância criada por sua omissão. Muito oportunas, pois, as campanhas institucionais de esclarecimento quanto à importância do voto que o governo brasileiro, por meio do Tribunal Superior Eleitoral, e vários particulares realizam a cada eleição.

O CORSO, O ESPÍRITO E A ESPADA

É necessário jamais esquecer que, em primeiro lugar, é com a Alma que a gente enxerga, percebe e analisa os fatos. A mente não representa tudo, visto que o Espírito não é simples projeção dela. Eis por que, à beira do Terceiro Milênio (estávamos nos anos 1990), não basta instruir com as letras humanas. É indispensável lecionar a respeito de quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Por isso, costumo afirmar que os excessivamente céticos negam o futuro a eles próprios. Na série radiofônica “O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração”, reitero: estamos carne, mas somos Espírito. Ora, as nações e seus votantes que não meditarem sobre essa verdade – passe o tempo que for preciso e ante os ares novos que caracterizam, a muitos ainda imperceptivelmente, a era nova que surge – poderão não sobreviver como fator inteligente. Grande hoje, minúsculo amanhã; e vice-versa. Napoleão Bonaparte (1769-1821), o Corso, o famoso general francês, advertia: “Há somente duas forças no mundo: o espírito e a espada. E o espírito sempre conquista a espada”. Se Le Petit Caporal tivesse na verdade compreendido essa certeza que proclamou, provavelmente não teria terminado em Santa Helena.

HUMILDADE — A CIÊNCIA DA CORAGEM

Bastas vezes, o sofrido coração, se aclarado pelos talentos espirituais, vai muito além do que o cérebro. Quando se vive com a Alma em trevas, tudo se ensombrece. Só se vê tristeza, desesperança à volta. Senão, Jesus, o Estadista Divino, não teria ensinado, no Evangelho segundo Mateus, 6:22 e 23: “Os olhos [espirituais] são a luminosidade do corpo. De sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são sombras, que grandes trevas serão”. Quando o Espírito vibra na humildade, que é a ciência da coragem, surge o melhor instante de expressar o pensamento. É essencial que a razão seja fecundada pela fraternidade e que esta traga àquela juízo e compaixão.

Urge, pois, com o Evangelho e o Apocalipse do Político Celeste, distante de qualquer fanatismo, clarearmos o órgão do sentimento, cônscios de que a mente escrava não possui criatividade esclarecida. Sem isso, nação alguma se desenvolve com justeza. Estará sempre em crise.

Eis aí. O mundo padece violência, pois despreza o Amor Fraterno como Lei e então se perde em injustiça. Por esse motivo, devemos instruir e educar, mas também ecumenicamente espiritualizar as multidões.


* José de Paiva Netto, Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade.

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