* Por Paiva Netto
Precisamente às 21h55 dessa inesquecível quarta-feira, 13/10, chegou ao fim, sem incidentes, o resgate dos 33 mineiros soterrados há quase 70 dias, numa profundidade de 700 metros, na Mina San José, em Copiapó, norte do Chile. O último a subir à superfície foi o topógrafo Luis Urzúa Iribarren, de 54 anos.
Em 22 de agosto do corrente, a câmera instalada em uma sonda mostrou o drama dos operários confinados desde 5/8, comovendo o mundo e criando uma poderosa corrente de solidariedade. As precárias condições de sobrevivência que eles experimentaram exigiam rapidez e cuidado no planejamento da operação, pois existia o risco de desabamentos. A previsão inicial era de que seriam resgatados próximo do Natal, porém, com o apressamento dos trabalhos — que contou com o apoio de especialistas dos Estados Unidos e do México — o prognóstico das autoridades chilenas foi gradativamente sendo reduzido. De acordo com peritos, pode-se considerar este salvamento como sem precedentes na história da mineração mundial.
O VALOR DA ORAÇÃO
Mário Gomes, de 63 anos, o nono a ser resgatado e o mais velho do grupo, ajoelhou-se e rezou, agradecendo a Deus por ter sido libertado. O gesto foi, posteriormente, seguido por outros sobreviventes. Recordei-me do que costumo afirmar em minhas prédicas no rádio e na TV: Quando se ora, a Alma respira, fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte do coração.
TRABALHO DE EQUIPE
A cápsula Fênix que os içou com sucesso foi desenvolvida com a mais avançada tecnologia do Centro de Estudos da Nasa. Com 4 metros de altura e 450 quilos, ela comportava tubos de oxigênio, equipamento de comunicação e um sistema de aferição dos sinais vitais.
Para a subida, por causa do extenso período presos no subsolo e da diferença de temperatura, receberam um macacão especial, luvas, água e os olhos foram protegidos com óculos escuros, a fim de que se acostumassem gradativamente à claridade. É de se louvar o trabalho de equipe, em especial dos socorristas que, ao descerem até onde estavam os mineiros, puseram a vida em risco.
SOLIDARIEDADE
O que ficou patente nesse drama humano foi a força da solidariedade, do espírito altruístico, que a Legião da Boa Vontade há mais de 60 anos tanto prega e exemplifica. Que os povos não mais necessitem passar por tormentos dessa magnitude para perceber que não se pode abrir mão de uma postura fraterna e ecumênica – que se valorize, acima de tudo, o Ser Humano e seu Espírito eterno – na implantação definitiva da tão sonhada sociedade solidária.
E que esse tipo de pesadelo não venha a repetir-se, não apenas no Chile, mas em tantas outras partes do mundo.
* José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com


